Tereza

Coleção de estampas criada para marca de roupas Vivayê. A inspiração foi a artista plástica pernambucana Tereza Costa Rêgo.

Pulei a Janela

Tereza contava que “foi criada para enfeitar o piano da sala, mas um dia resolveu quebrar o piano e pular a janela”. De fato, foi uma mulher que subverteu sua genética social e resolveu ser o que queria, com todas as dores e amores que só a escolha pela liberdade pode trazer.

A estampa “Pulei a Janela” propõe essa atmosfera de ousadia e coragem inspirada por Tereza. Nela, vários elementos se misturam formando blocos coloridos cheios de personalidade.

Há janelas abertas, prontas para uma fuga para o mundo. Fachadas de Olinda, seu mundo particular. Teclas de piano espalhadas para lembrar os caminhos que escolheu não percorrer. Texturas que retratavam os pisos em seus quadros, para mostrar o território onde resolveu fincar os pés. Dá pra ver até as maçãs de seus quadros, o fruto do pecado que fez questão de tirar do pé.

As Mulheres em Tereza

Tereza Costa Rêgo foi mais de uma mulher. Antes de adotar seu nome completo, de ser Tereza por inteiro, foi Terezinha, foi a bisneta do Conde da Boa Vista, foi a ex-mulher do juiz, foi Joanna, foi a companheira do líder político. Até que se assumiu Tereza Costa Rêgo, “uma mulher e sua pintura”.

Ela foi reconhecida por sua obra em uma época em que a maioria das artistas mulheres eram invisibilizadas. Se começa a ter dimensão de seu impacto quando artistas da nova geração a descrevem como“uma estrela guia para mulheres artistas”.

Na verdade, Tereza conseguiu, a partir de sua pintura, ampliar os horizontes de todas as mulheres. O corpo nu feminino foi seu principal objeto de estudo. Segundo ela, foi o caminho que encontrou para a libertação, foi seu protesto contra as amarras impostas às mulheres. Assim, sua vida e sua obra foram grandes passos na busca pela autonomia sexual e afetiva das mulheres.

Apocalipse

Tereza passou por vários apocalipses em vida. Mudanças radicais, amores profundos, sofrimentos marcantes, perdas significativas. Teve a vida repensada e recomeçada várias vezes. E dizia que, se teve algum mérito, foi que passou por tudo isso dando risada.

A artista teve autonomia e coragem para questionar o que ensinaram a ela sobre amor, devoção e pecado. Usou temas biblícos e históricos para iniciar reflexões potentes sobre o mundo.

Nesse caminho intenso, foi mais do que testemunha da história, virou personagem e cronista do seu tempo. Tinha sede de vida até o fim.

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